SÃO PAULO (Reuters) – O Ibovespa oscilava pouco nesta quarta-feira, tendo como pano de fundo variações modestas de índices acionários no exterior, com agentes financeiros na expectativa do balanço da Nvidia, enquanto dados do Banco Central no Brasil mostraram a inadimplência no país no maior nível em quase oito anos.
Por volta de 10h40, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, cedia 0,07%, a 137.680,68 pontos. O volume financeiro somava R$1,59 bilhão.
No exterior, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, registrava estabilidade, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 tinha variação negativa de 0,04%.
“Existe uma grande expectativa pelo resultado da Nvidia, que será divulgado após o fechamento do mercado”, afirmou a equipe da Ágora Investimentos. “Não pelos números em si, mas sobre possíveis pistas de como a rivalidade entre Estados Unidos e China pode limitar o boom da inteligência artificial.”
Na visão da equipe da corretora, uma recuperação em praças acionárias no exterior, ainda que com variações comedidas, pode abrir espaço para alguma melhora dos ativos locais. Mas, acrescentou, a falta de avanços nas negociações comerciais com os EUA aumenta as incertezas e limita ganhos mais consistentes.
Investidores da bolsa paulista também repercutem nesta sessão dados de crédito no país, enquanto a agenda da tarde destaca números sobre a criação de empregos formais no Brasil.
DESTAQUES
– BANCO DO BRASIL ON caía 1,77%, voltando a capitanear as perdas no setor, ainda sensível a ruídos envolvendo a aplicação da Lei Magnitsky e o resultado fraco no segundo trimestre. Além disso, o Banco Central também divulgou dados de crédito no país, com avanço de 1,2% nas concessões em julho ante junho, enquanto o estoque total cresceu 0,4%. A inadimplência no segmento de recursos livres subiu para 5,2% — patamar mais elevado desde novembro de 2017. Entre os pares, ITAÚ PN cedia 0,54%, BRADESCO PN perdia 0,37% e SANTANDER BRASIL UNIT operava estável.
– VALE ON recuava 0,13%, tendo como pano de fundo a queda dos futuros do minério de ferro na China. No setor, CSN ON perdia 0,69%, USIMINAS PNA caía 0,24% e GERDAU PN cedia 0,55%. No noticiário, o Departamento de Comércio dos EUA emitiu na terça-feira conclusões favoráveis à aplicação de tarifas antidumping e compensatórias contra 10 países — incluindo o Brasil — após investigações sobre produtos de aço resistente à corrosão.
– PETROBRAS PN registrava acréscimo de 0,16%, acompanhando o sinal positivo dos preços do petróleo no exterior. No setor, BRAVA ON caía 0,1%, PRIO ON cedia 0,19% e PETRORECONCAVO ON era negociada em baixa de 0,47%.
– BRASKEM PNA avançava 2,38%, buscando a sexta alta consecutiva. Nos últimos pregões, o noticiário envolvendo a petroquímica incluiu o fim da exclusividade nas negociações entre o empresário Nelson Tanure e a Novonor por fatia da companhia, bem como de que a gestora IG4 e bancos credores acertaram período de exclusividade sobre a companhia.
– LOJAS RENNER ON subia 1,79%, em dia de recuperação, após duas quedas seguidas. No mês, o papel ainda acumula uma desvalorização de 2%. O índice do setor de consumo na B3 tinha variação positiva de 0,35%, com nomes como ASSAÍ ON e NATURA ON perdendo 0,9% e 0,89%, respectivamente.
– ONCOCLÍNICAS ON saltava 9,03% após divulgar que vendeu a sua participação de 84% no capital social do Complexo Hospitalar Uberlândia (UMC), em Minas Gerais, a Alexandre de Menezes Rodrigues por R$160 milhões. A companhia, que indicou que a venda foi feita através de sua controlada Multihemo, disse que o valor será pago na forma de “assunção de endividamento e obrigações, relacionados ao UMC, pelo comprador”.
(Por Paula Arend Laier; Edição de Isabel Versiani)