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Diretriz da Índia para etanol coloca em risco busca por autossuficiência em óleo comestível

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Por Rajendra Jadhav

NASHIK, ÍNDIA (Reuters) – A iniciativa da Índia de produzir mais etanol está levando seus agricultores a abandonar o cultivo de sementes oleaginosas, minando os esforços do governo do maior comprador mundial de óleos vegetais para reduzir as caras importações.

Ajudada por safras recordes de milho e arroz, Nova Délhi está usando mais grãos para produzir etanol e atingir sua meta de misturar 20% do biocombustível como aditivo à gasolina. No entanto, o processo produz grãos secos de destilaria solúveis (DDGS), um coproduto rico em proteínas que está inundando o mercado da matéria-prima para ração animal.

O excesso de DDGS está enfraquecendo a demanda por farelos de oleaginosas, deprimindo os preços das sementes oleaginosas e levando os agricultores do país do sul da Ásia a plantar mais milho e arroz em vez de soja e amendoim — apesar da pressão de Nova Délhi para cultivar mais sementes oleaginosas a fim de reduzir as importações.

A produção de DDGS na Índia aumentou cerca de 13 vezes nos últimos dois anos, chegando a um volume estimado de 5,5 milhões de toneladas até 2025, de acordo com autoridades do setor.

“O DDGS é uma dor de cabeça”, disse Aashish Acharya, vice-presidente da Patanjali Foods Ltd, um dos principais processadores de soja. “Os fabricantes de ração estão substituindo os farelos de óleo por DDGS, já que é mais barato.”

A mudança é visível nos dados de semeadura do governo. Em 8 de agosto, a área cultivada com sementes oleaginosas — incluindo soja e amendoim — caiu 4% em relação ao ano passado, enquanto a área de milho aumentou 10,5%, atingindo um recorde.

Madhukar Londhe, um fazendeiro de Nashik, no Estado ocidental de Maharashtra, disse que reduziu sua área de soja de seis para um acre, plantando o restante com milho — que tem o benefício adicional de fornecer forragem dos talos para suas cinco vacas leiteiras.

Quase duas dúzias de fazendeiros da região com quem a Reuters conversou disseram ter feito uma mudança semelhante.

“Os preços da soja estavam muito baixos, de modo que não consegui nem cobrir meus custos nos últimos dois anos. O milho foi melhor para mim no ano passado, então decidi cultivá-lo mais”, disse Londhe.

IMPORTAÇÕES EM ALTA

A redução no plantio de sementes oleaginosas é uma preocupação para um país que gastou mais de US$17 bilhões em importações de óleo comestível no ano passado e está fazendo esforços conjuntos para reduzir essa dependência.

O aumento da demanda por alimentos fritos e doces por parte de uma população crescente e cada vez mais próspera tem impulsionado um crescimento consistente no consumo de óleo comestível de 3% a 4% ao ano, disse B.V. Mehta, diretor executivo da Solvent Extractors’ Association of India (Associação de Extratores de Solventes da Índia).

As importações de óleo comestível aumentaram de 4,4 milhões de toneladas há duas décadas para 16 milhões de toneladas em 2023-24, tornando a Índia o maior comprador mundial de óleos vegetais, como óleo de palma da Indonésia e da Malásia, e óleo de soja e óleo de girassol da Argentina, Brasil, Rússia e Ucrânia.

Nova Délhi tem como objetivo aumentar a produção doméstica de óleo comestível para 25,45 milhões de toneladas até 2030-31, em comparação com as atuais 12,7 milhões de toneladas, o suficiente para atender a 72% da demanda projetada, um esforço que, segundo Mehta, está sendo prejudicado pelo aumento da oferta de DDGS.

Um negociante sênior de Nova Délhi de uma casa comercial global, que não quis se identificar por não estar autorizado a falar com a mídia, disse que espera que as importações ultrapassem 20 milhões de toneladas em seis ou sete anos, em parte devido à ao advento dos DDGS.

Dada a escassez de oferta global de óleos comestíveis, as importações adicionais da Índia elevarão ainda mais os preços, disse um funcionário de uma importante empresa produtora de óleo de palma, com sede em Kuala Lumpur.

EXCESSO DE FARELO, DEFICIÊNCIA DE ÓLEO

A Índia, terceiro maior importador e consumidor de petróleo bruto, recentemente atingiu sua meta de aumentar a mistura de etanol na gasolina para 20%. Há dois anos, antes de a Índia começar a usar milho e arroz em larga escala devido à escassez de cana-de-açúcar, sua principal matéria-prima para o etanol, a taxa de mistura era de apenas 12%.

Mesmo antes que o aumento da produção de etanol começasse a criar um excesso de DDGS, a Índia enfrentava dificuldades com o excesso de farelo de oleaginosas. A demanda per capita por ração animal é muito menor do que a média global, já que uma parcela significativa da população de 1,4 bilhão de habitantes é vegetariana por motivos religiosos e culturais e a maioria dos consumidores de carne o faz apenas ocasionalmente.

Isso levou a Índia a exportar excedentes de farelo de oleaginosas para países como Coreia do Sul, Vietnã, Tailândia e Bangladesh.

No entanto, as exportações de farelo ficaram mais difíceis a cada ano, pois os preços subiram para apoiar os agricultores de sementes oleaginosas. Este ano, alguns países que importam farelo indiano se comprometeram a comprar mais dos EUA, o que significa que comprarão menos da Índia, disse um negociante de Mumbai de uma casa de comércio global.

Ajay Jhunjhunwala, produtor de óleo em Lucknow, no norte da Índia, estima que, da produção de DDGS deste ano, apenas cerca de metade será consumida internamente.

As exportações estão crescendo, mas ainda são relativamente pequenas. As exportações de DDGS da Índia aumentaram de apenas 16.556 toneladas em 2022 para 354.110 toneladas no ano passado. As destilarias estão tentando exportar o excedente para mercados como Bangladesh e Vietnã — clientes de longa data do DDGS dos EUA.

Os processadores e destiladores estão pressionando por incentivos para facilitar as exportações de farelo de óleo e DDGS.

O Ministro da Agricultura da Índia, Shivraj Singh Chouhan, disse em julho que o governo apoiaria os agricultores de sementes oleaginosas adquirindo sua colheita a um preço fixado pelo Estado. O governo indiano não respondeu a um pedido de comentário sobre o aumento do fornecimento de DDGS.

“O DDGS exagerou o problema do excedente de farelo”, disse o produtor de óleo. “A menos que esse problema seja resolvido, será difícil aumentar a produção doméstica de sementes oleaginosas e os suprimentos de óleo comestível”, disse ele.

(Reportagem de Rajendra Jadhav)

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METODOLOGIA DE PREÇOS DO ALGODÃO – BBM/SINAP

PRODUTO:Algodão em pluma tipo 41, folha 4 – cor estritamente abaixo da média (strict low middling) – (antigo tipo 6, fibra 30/32 mm, sem característica).
UNIDADE DE MEDIDA:Libra-peso de pluma (0,453597 kg) divulgados em real por libra-peso.
ENTREGA:Preço do produto posto-indústria na mesorregião da cidade de São Paulo.
REGIÃO DE REFERÊNCIA:Negócios feitos nas principais regiões produtoras e consumidoras de algodão do Brasil.
TRATAMENTO ESTATÍSTICO:A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.
BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:Média aritmética das informações coletadas.
PERIODICIDADE:Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.
HISTÓRICO:Desde janeiro de 2010.
ORIGEM DA INFORMAÇÃO:Corretoras de Mercadorias associadas a Bolsa Brasileira de Mercadorias através de pesquisas diárias de preços
(confira aqui os nomes das Corretoras).
IMPORTANTE:Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Metodologia cotações

COTAÇÕES AGRÍCOLAS BBM

METODOLOGIA DE PREÇOS AGRÍCOLAS DA BOLSA BRASILEIRA DE MERCADORIAS

REGIÃO DE REFERÊNCIA:

Negócios realizados nas principais regiões produtoras e consumidoras dos produtos no Brasil.

TRATAMENTO ESTATÍSTICO:

A amostra diária é submetida a dois procedimentos estatísticos: média aritmética dos valores informados excluindo-se o desvio padrão (são aceitos valores que estejam no intervalo de dois desvios-padrão para cima e para baixo em relação à média da amostra em 10%) e análise do coeficiente de variação.

BASE DE PONDERAÇÃO DAS REGIÕES:

Média aritmética das informações coletadas.

PERIODICIDADE

Diária (somente em dias úteis). Os preços são coletados junto aos corretores de algodão, entre as 10:00 e 16:00 horas e divulgados, no mesmo dia, até às 17 horas.

HISTÓRICO:

Desde junho de 2018.

ORIGEM DA INFORMAÇÃO:

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

IMPORTANTE::

Valores coletados se referem a negócios realizados no mercado físico, para pronta entrega.

Fonte: Bolsa Brasileira de Mercadorias

Corretoras Associadas/BBM, Cooperativas e Associações de Produtores Rurais.

Lista dos participantes no fornecimento das cotações de preços agrícolas pela BBM

  •  Algotextil Consultores Associados Ltda
  •  Associação dos Cafeicultores de Araguari – ACA
  •  Cereais Pampeiro Ltda
  •  Cerrado Corretora de Merc. & Futuros Ltda
  •  Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas – Cocapec
  •  Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Lajinha – Coocafé
  •  Correpar Corretora de Merc. S/S Ltda
  •  Corretora Nacional de Mercadorias
  •  Costa Lima Corretora de Commodities Agrícolas Ltda
  •  Cottonbras Representação S.S. Ltda
  •  Cottonbrasil Corretores Associados Ltda.
  •  Depaula Corretora Ltda
  •  Expoente Correto. Merc. Imp. Export. Com. Represent. Ltda.
  •  Fibra Comercial e Corretora de Merc. Ltda
  •  Globo Corretora de Merc. Ltda
  •  Granos Comércio e Representações Ltda.
  •  Henrique Fracalanza
  •  Horus Algodão Consult. e Corretagens Ltda
  •  Instituto Brasileiro do Feijão e dos Pulses – IBRAFE
  •  JC Agronegócios EIRELI
  •  Laferlins Ltda.
  •  Lefevre Corretora de Mercadorias Ltda
  •  Mafer Agronegócios Ltda
  •  Mercado – Mercantil Corretora de Merc. Ltda
  •  Metasul Corretora Ltda
  •  Orbi Corretora de Mercadorias Ltda.
  •  Pluma Empreendimento e Participações S/S LTDA
  •  Renato – Agronegócio e Licitações Ltda
  •  Renda Corretora de Agroneg. e Transp.s Ltda
  •  Risoy Corretora de Merc.
  •  Robert Daniel Corretora
  •  Rocha Corretora de Merc. Ltda
  •  Rural Assessoria e Commodities Agricolas Ltda
  •  Sandias Corretora de Commodities Ltda
  •  Santiago & Oliveira Com. e Ind. Ltda
  •  Santiago Cotton Ltda
  •  Souza Lima Corretora de Mercadorias Ltda
  •  T.T. Menka Corretora de Mercadorias S/C Ltda.
  •  Translabhoro Serviços Agrícolas Ltda
  •  Vitória Intermediação de Negócios Ltda