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BUDAPESTE, 16 Fev (Reuters) – A Hungria e a Eslováquia solicitaram à Croácia que as ajudasse a garantir o abastecimento de petróleo russo, e a empresa húngara MOL iniciou a liberação de reservas estratégicas de petróleo bruto após a interrupção do fluxo através da Ucrânia, que os dois países atribuíram a Kiev.
O Ministério das Relações Exteriores de Kiev afirmou na semana passada que um ataque russo a um oleoduto ucraniano foi responsável pela interrupção do fluxo para a Europa Oriental desde 27 de janeiro.
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, postou uma foto no X de bombeiros e do que ele disse ser a infraestrutura do oleoduto Druzhba em chamas, acusando a Hungria de não comentar publicamente o incidente por duas semanas porque sua aliada, a Rússia, era a culpada.
Isso provocou uma resposta rápida da Hungria, que acusou os ucranianos de desligarem a energia dessa seção do oleoduto.
No domingo, o primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, acusou a Ucrânia de atrasar o reinício de um oleoduto para pressionar a Hungria a abandonar sua oposição à futura adesão da Ucrânia à União Europeia.
AJUDA CROATA ATRAVÉS DO OLEODUTO ADRIA
Na segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores da Hungria, Peter Szijarto, em uma postagem no X, disse que a Hungria e a Eslováquia pediram à Croácia que permitisse o fluxo de petróleo russo através do gasoduto Adria.
“Solicitamos à Croácia que permita o transporte de petróleo russo para a Hungria e a Eslováquia através do gasoduto Adria, uma vez que a nossa isenção de sanções prevê a possibilidade de importar petróleo russo por via marítima se as entregas por gasoduto forem interrompidas”, escreveu Szijarto no X.
“A segurança do abastecimento energético de um país nunca deve ser uma questão ideológica. Por isso, esperamos que a Croácia, ao contrário da Ucrânia, não coloque em risco a segurança do abastecimento de petróleo da Hungria e da Eslováquia por motivos políticos.”
O ministro da Economia croata, Ante Susnjar, disse que seu país deve ser capaz de ajudar.
“A Croácia não permitirá que o abastecimento de combustível da Europa Central seja colocado em risco. Estamos prontos para ajudar a resolver a grave interrupção”, disse ele, acrescentando que a cooperação do país estaria em conformidade com a legislação da UE e os regulamentos do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos EUA.
O oleoduto Adria vai do porto croata de Omisalj às refinarias de petróleo na Croácia e outras na Europa Central e do Sul.
A HUNGRIA INICIA A LIBERAÇÃO DE RESERVAS ESTRATÉGICAS
A petrolífera húngara MOL anunciou na segunda-feira que contactou o governo húngaro para iniciar a libertação de reservas estratégicas de petróleo bruto, a fim de manter a segurança do abastecimento na região.
“Se os embarques do leste não forem retomados nos próximos dias, a Hungria poderá precisar liberar aproximadamente 250.000 toneladas de reservas estratégicas de petróleo bruto na primeira rodada”, disse a MOL em comunicado.
Para compensar o déficit, a MOL também informou que começou a abastecer suas refinarias com petróleo bruto transportado por mar.
Os primeiros carregamentos devem chegar ao porto de Omisalj, na Croácia, no início de março. Depois disso, levará mais 5 a 12 dias para que o petróleo bruto chegue às suas refinarias.
A Hungria e a Eslováquia têm isenções às sanções da UE sobre o petróleo russo transportado por oleodutos. Elas dependem do petróleo e do gás russos e têm lutado contra as medidas da UE para acabar com esses fluxos, como parte dos esforços para cortar as receitas energéticas que financiam a guerra da Rússia na Ucrânia.
Um porta-voz da Comissão Europeia confirmou na segunda-feira que a UE tem mantido contato próximo com a Hungria, a Eslováquia e a Croácia e que os fluxos do Druzhba estão interrompidos desde 27 de janeiro.
REUNIÃO RUBIO-ORBAN
O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, manteve laços fortes com Moscou desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, ao mesmo tempo em que estabeleceu laços com o presidente dos EUA, Donald Trump.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, se reuniu com Orban em Budapeste na segunda-feira, após visitar a Eslováquia no domingo, onde a energia foi um dos temas discutidos com o primeiro-ministro Robert Fico.
O Kremlin disse na segunda-feira que concordava com Fico, que acusou a Ucrânia de atrasar o reinício do oleoduto Druzhba para tentar pressionar a Hungria a abandonar sua oposição à possível adesão futura da Ucrânia à UE.
O Druzhba da Rússia já estava sob pressão antes do suposto incidente em janeiro, como resultado dos ataques de drones ucranianos ao oleoduto dentro da Rússia.
Os fluxos russos através da secção sul do oleoduto caíram para um mínimo de 10 anos, 9,7 milhões de toneladas métricas no ano passado, com a Eslováquia a receber 4,9 milhões e a Hungria cerca de 4,35 milhões, de acordo com a consultora ucraniana ExPro.
(Reportagem de Anita Komuves em Budapeste e Kate Abnett em Bruxelas; redação de Anna Wlodarczak-Semczuk; edição de David Goodman, Jason Neely e Barbara Lewis)