O mercado do açúcar devolveu os ganhos registrados na sessão anterior e opera em queda superior a 1% nos principais contratos nesta terça-feira, tanto em Londres quanto em Nova Iorque. Na bolsa londrina, o contrato com vencimento em outubro/25 é cotado a US$ 462,40 por tonelada, recuo de 1,37%. Já na ICE americana, o açúcar bruto para outubro/25 é negociado a 16,03 cents de dólar por libra-peso, queda de 1,35%, enquanto o contrato de março/26 é cotado a 16,67 cents, baixa de 1,24%.
Mesmo o recente movimento de compras por parte do Paquistão não foi suficiente para reverter o sentimento negativo dos operadores. Segundo Maurício Muruci, analista da Safras & Mercado, trata-se de um país produtor que atua para atender basicamente o consumo interno, com pouca participação nas bolsas internacionais, o que limita o impacto dessas compras. “Na teoria, seria um fator a ser considerado, mas historicamente o Paquistão tem pouca influência sobre os preços globais”, explica Muruci.
Diante disso, o mercado volta a testar o suporte técnico dos 16 cents/lb, pressionado pelas expectativas de uma safra robusta na Índia e na Tailândia, além do avanço da colheita no Brasil. Apesar disso, a produção brasileira ainda preocupa. Segundo dados da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia), a moagem acumulada até 16 de julho somou 256,14 milhões de toneladas, uma retração de 9,61% em comparação com as 283,36 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ciclo anterior.
Muruci destaca que grande parte da produção das usinas brasileiras já estava vendida desde o ano passado, com contratos fechados até janeiro, em sua maioria a preços superiores a 18 cents/lb. “O problema agora é a safra do ano que vem, que ainda estará em processo de recuperação dos danos do ano passado, além dos preços que provavelmente continuarão pressionados pelas boas safras asiáticas. Somado a isso, nossos modelos climáticos indicam chuvas abaixo da média no início de 2026, o que é um dado preocupante para a recuperação das lavouras”, alerta o analista.
No mercado interno, os preços do açúcar cristal no spot paulista encerraram julho praticamente estáveis, segundo levantamento do Cepea. Entre 28 de julho e 1º de agosto, o Indicador CEPEA/ESALQ (Icumsa 130-180) foi de R$ 120,39/saca de 50 kg, variação positiva de 0,07% em relação à semana anterior. No entanto, a média mensal do indicador ficou em R$ 118,49/sc, uma queda de 6,29% frente a junho. Pesquisadores do Cepea apontam que, desde a segunda quinzena de julho, os preços vêm se recuperando após atingirem, no início do mês, as mínimas nominais dos últimos três anos. As usinas mantêm as pedidas firmes, mesmo diante de uma demanda interna ainda enfraquecida, enquanto a liquidez apresentou leve recuo na última semana.
Já no setor de combustíveis, os preços dos etanóis anidro e hidratado registraram altas mais expressivas na última semana em São Paulo. Conforme o Cepea, o mix mais açucareiro e a menor produção de etanol mantiveram os vendedores firmes nos preços, ao passo que os compradores seguiram cautelosos, adquirindo volumes limitados na expectativa de quedas futuras. O etanol hidratado foi negociado a R$ 2,6239/litro (líquido de ICMS e PIS/Cofins), alta de 3,11%, enquanto o etanol anidro subiu 2,84%, com cotação de R$ 2,9996/litro (líquido de impostos).