A castanha de baru, fruto típico do Cerrado brasileiro, acaba de conquistar uma das vitrines mais exigentes do mundo: o mercado europeu. Após avaliação da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), a União Europeia (UE) autorizou a exportação do produto torrado para seus 27 países-membros, abrindo uma nova fronteira comercial para a bioeconomia brasileira e para os extrativistas que atuam na região.
Considerada um “superalimento”, a castanha de baru é rica em proteínas, fibras, minerais e ácidos graxos essenciais. Com alto valor nutricional e sabor marcante, o fruto já era exportado para Estados Unidos, Canadá e Emirados Árabes Unidos. A entrada no mercado europeu marca um novo capítulo para a cadeia produtiva do baru, principalmente para cooperativas como a Copabase, que reúne agricultores familiares e extrativistas no noroeste de Minas Gerais.
“Essa conquista rompe uma barreira histórica. Havia grande interesse europeu, mas faltava a regulamentação. Agora o baru é reconhecido como alimento seguro e regulamentado”, celebra Dionete Figueiredo, gestora da Copabase.
Exportação fortalece economia e preservação do Cerrado
Além do potencial econômico, a autorização tem impactos ambientais e sociais. O baru é colhido de forma extrativista, sem desmatamento, e sua comercialização agrega valor à sociobiodiversidade, gerando renda para mais de 300 famílias envolvidas no processo. A Copabase segue práticas rigorosas de rastreabilidade, qualidade sanitária e possui certificações nacionais e internacionais que atestam a sustentabilidade do produto.
Segundo Dionete, “a exportação para a Europa é um salto na geração de renda, na conservação do Cerrado e na valorização de um alimento 100% brasileiro”.
A decisão da UE soma-se às 389 novas aberturas de mercado conquistadas pelo agronegócio brasileiro desde 2023, impulsionadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em parceria com o Itamaraty. A aprovação do baru reforça o papel do Brasil como protagonista na bioeconomia global.
Baru: um superalimento com poder nutricional e cultural
A castanha de baru contém cerca de 26% de proteína e mais ferro que a carne bovina, além de magnésio, potássio, cálcio, vitamina E e compostos antioxidantes. Seus benefícios incluem auxílio no controle do colesterol, na prevenção de doenças cardiovasculares e na promoção do bem-estar geral.
Presente em projetos de alimentação escolar e mercados regionais, o baru agora ganha escala internacional, carregando consigo a identidade do Cerrado, práticas agroecológicas e o protagonismo da agricultura familiar.
Modelo de sustentabilidade que inspira
A cadeia do baru é exemplo de extrativismo sustentável e de modelo produtivo com impacto social positivo. A Copabase atua não apenas no beneficiamento do fruto, mas também oferece assistência técnica, capacitação, insumos e acesso a mercados por meio de uma rede sólida de parcerias, envolvendo instituições como Sebrae, Embrapa, WWF, Funbio, IFNMG, Banco do Brasil e diversas ONGs e órgãos públicos.